As aldeias das leitoras (VII): Friám

Plano de Friám, na paróquia de Marçoa, concelho de Oroso
Plano de Friám, na paróquia de Marçoa, concelho de Oroso

Ao começar a investigar a toponímia da comarca o companheiro Manolo Paços perguntou polo significado do topónimo Freám ou Friám, na sua paróquia, Marçoa, que nom aparece no Nomenclátor, mas si nos mapas do IGN[1], assim como do microtopónimo associado Fraga de Freám. Ainda, há nas Encrovas um Monte de Freám, situado ao norte de Pontojo. Trata-se, mais umha vez, de topónimos derivados de possessores medievais de nome germánico, mas nom acaba de haver consenso sobre qual seria o antropónimo em questom. Para os numerosos Friães portugueses Piel supunha um nome pessoal baseado no elemento frithus ‘paz’, ideia que apoia Moralejo[2] mas que desbota Almeida[3], documentos medievais em mao, em favor de Froila. A falta dos pertinentes documentos para o caso de Marçoa, é de supor que deveu ser num princípio umha *(villa) Fro(n)ilanem ou vila (ou outro tipo de propriedade) de um terratenente altomedieval chamado Froila, nome este composto a partir de gôtico frauja ‘senhor’[4] e do sufixo hipocorístico –ila, significando Froila, entom, “Senhorinho” ou algo semelhante.

Caminho na Fraga de Friám, en Marçoa
Caminho na Fraga de Friám, en Marçoa

Froilas houvo muitos e mui importantes na nossa história medieval, o que explica a sua fecundidade toponímica em terras galegas e portuguesas, ainda que costume aparecer como Froilám e Froilão, espnaholismo –diz Almeida- de Froilán, pois “o l nunca poderia entre nós existir”. Eis o rei da dinastia astur Froilám I (757-768), para Anselmo López Carreira de biografia fantasiosa; o Froilám II, tereiro filho de Afonso III, que o árabe Ibn Haiám descreveu de “tirano Froilán, príncipe dos galegos”; o conde Froilám Díaz; o Froilám Gutérrez do século X, que doa à sua mulher Sarracina e ao seu irmao Sam Rosendo as terras para fundar o mosteiro de Cela Nova; e, como nom, o Froilám de Lugo, Santo Nacional do Polvo, cujo nome leva orgulhoso um dos aspirantes a sucessor da coroa bourbónica, rapaz em quem o republicanismo galego confia firmemente para acabar com a monarquia desde dentro.

O Sam Froilám foi um desses santos cristaos de primeira hora que, nos países célticos, se fijo famoso entre o povo polo milagre de domesticar o lobo, símbolo da ferocidade pagá que ressoa também em Marçoa no Coto do Lobo –elevaçom de 349 metros no linde com Pereira, e cuja importáncia territorial corrabora a presença de umha mámoa- assim como no Fojo, a Armadas e as Chousas da Armada. Como nessas constelaçons que representam eternas perseguiçons mitológicas, na toponímia de Marçoa um santo de nome germánico continua a correr trás do lobo polos séculos dos séculos…

[1] Folha 70-IV.

[2] Para quem Friám viria de umha *(villa) Fredilanem ou vila de Frédila. Abelardo Moralejo Lasso, Toponimia gallega y leonesa, Santiago de Compostela, Pico Sacro, 1977, p. 313.

[3] Almeida, 1999, p. 321.

[4] Joseph-Maria Piel (Estudos de lingüística histórica galego-portuguesa, Lisboa, Imprensa Nacional-Casa da Moeda, 1989, p. 143) indica o significado de ‘senhor’ para frauja, mas Almeida (Ibidem) dá ‘senhora’.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s