A dignidade do País do Navo

Mapa de Novás en Albijói

Há em Albijói um lugar chamado Novás e ainda, na microtoponímia, umhas terras de nome o Noval entre as paróquias de Leira e Buscás. Nom está de todo claro o seu significado, pois poderiam-se referir a duas cousas diferentes. A primeira seria que o tal noval venha do latim novale, derivado de novu ‘novo’, no sentido de umha terra noval que se cultivou de novo ou pola primeira vez[1]. A outra, que defende Méndez Ferrín, é a de que nestes topónimos e apelidos esteja em princípio o navo (Brassica napus), vegetal de incontestável importáncia na agricultura galega cujo nome vem do latim napu, de tal forma que:

 

“Derivado de nabo é nabal (“prantei soia o meu nabal”, Rosalía) ‘leira botada a nabos ou apta para os cultivar’, O plural de nabal é nabás ou nabais, segundo as demarcacións dialectais. Por veces, o a protónico reláxase, labialízase e chega a mudar o timbre, percibíndose como o, e xorden as formas nobal, nobás ou nobais. É o momento no que alguén, asociando a palabra erroneamente con novo, comeza a escribir, na toponimia e na antroponimia, Noval, Novás ou Novais, en lugar de Nobal, Nobás ou Nobais. Un paso máis, e outro innovador, por considerar a forma máis fina, múdalle o acento tónico no apelido e este queda como Novas […]”[2].

Deixando a umha parte a filologia, o certo é que o navo galego muito chamou a atençom aos viageiros espanhóis que visitavam o nosso país. Cara o ano 1536 o Bachiller Olea deixou apontada a sua surpresa perante uns navos, vistos por ele no bispado de Lugo, tam grandes que a gente se sentava ao lume neles[3]. Poucos anos depois Bartolomé de Villalba repararia nas mesmas hortalizas, deleitando-se numha descriçom fabulosa:

“Tienen particularmente un género de nabos los más extraños del mundo, porque el Pelegrino vio nabo que dos hombres juntos tuvieran mucho que hacer para abarcarlo. De ello se hacen asientos para cabe el fuego, porque son en extremo gruesos y al mismo tiempo de buen gusto; y en invierno sirven de pasto al vacuno y otros animales”[4].

Fotografia de greleira em Ordes, tomada por Mutante Creativo para reportaje sobre "A ruta do grelo" http://www.mutantecreativo.com/es/reportaje/
Fotografia de greleira em Ordes, tomada por Mutante Creativo para reportaje sobre “A ruta do grelo” http://www.mutantecreativo.com/es/reportaje/

A minha avoa Valentina concorda com isto, e lembra que na sua infáncia “os navos eram grandes, com muita cachola. Arrancavam-se, cortava-se-lhe as raízes e parte superior, como fazendo umha tapadeira. Por dentro, escavava-se como se for aumha cunca. Enchia-se d eágua e por cerca da tapa faziam-se uns buratos para passar uns cordons e pendurá-lo na viga da casa. Volvia a botar o grelo e era un adorno”. Em qualquer caso, estas descriçons exotizantes do navo galego foram aproveitadas, em chave colonial, polos literatos espanhóis do Século de Ouro para insistirem na sua teima anti-galega. Assim pr exemplo, Tirso de Molina remedava a saudade galega em La villana de la Sagra com umha paródica “Adiós, redondos y tajados nabos,/adiós, pescados, berzas, bacoriños”; e Lope de Vega, o campeom desse subgénero classista e racista, fijo do tropo do navo um repetitivo chiste de escassa graça, por exemplo em El mejor alcalde, el rey:

“…y tuvo un sobreino tuerto,

el primero que sembró

nabos en Galicia…”

Ou em Santa Casilda:

“-¿Es fértil tu tierra?

-Mucho

de nabos en cantidad…”

Em qualquer caso o nutritivo navo leva séculos a fazer um grande serviço ao nosso povo, e nas terras da Ruta do Grelo nom é de admirar que rematasse dando nome a aldeias e pessoas. O apelido Novás levou-nos ,entre outros, Farruco Sesto Novás, ExMinistro de Cultura de Venezuela e militante da causa galega.

[1] Fernando Cabeza Quiles, Toponimia de Galicia, Vigo, Galaxia, 2008, p. 442.

[2] Ferrín, 2007, p. 212.

[3] Cit. em: José Filgueira Valverde, “El primero vocabulario gallego y su colector el Bachiller Olea”, Cuadernos de Estudios Gallegos, VIII, 1947, p. 600.

[4] Bartolomé de Villalba, El pelegrino curioso y grandeza de España, Madrid, Sociedad de Bibliófilos Españoles, 1886 [1577], p. 441.

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