A flor do codesso

para Pedro de Codesseda

Ainda que de pequenos conheciamos perfeitamente a planta do codesso (andavamos a apanhá-la porque Couselo da Portela dizia que era boa para prevenir a peste dos coelhos) sempre faziamos a brincadeira de dizer-lhe “de cu-de-seda” aos amigos de Codesseda, aldeia da freguesia de Leira. Etimologias paródicas à parte, o nome deste arbusto provavelmente proceda dum vocablo do latim vulgar, cutisus, correspondente ao latim cytisus que, à sua vez, procede do grego kýtisus1.

Também alude a umha terra com abundância de codessos o Codessal de Vila de Abade, havendo na microtoponímia um Monte dos Codessos em Buscás; as Codesseiras, também em Leira; e a Codesseira em Ordes.

No lugar de Leira detém-se Ugio Carré Aldao na Geografía General del Reino de Galicia, polo que lhe cedemos a palabra:

“En la aldea de Codeseda hay una ermita bajo la advocación del Santo Cristo de la Misericordia. Esta aldea y ermita pertenecieron a la casa solariega de los Brea y Pol. La ermita sufrió un incendio por la parte N. Se conserva en buen estado, y a los lados del sagrario y debajo de las cuatro columnas salomónicas del altar se lee la siguiente inscripción: “Esta capilla la edificó el Sr. D. Antonio Bieites Caamano y la Sª. D.ª Josepha Caamano, su muger, primos 2º con 3º. Pintóla Francisco Gómez Varela, vecino de Cayón. Año 1713. Dieron pintura los señores. “En ella hay tres altares: en el mayor se destaca un Cristo de tamaño natural; en los de los lados, San Roque y la Virgen de la Concepción. Son estas imágenes de muy buena talla. A comienzos del siglo XIX aun vivía don Ignacio Brea y Pol Hermida, patrono de la capilla, titulado caballero de la Real Maestranza de Ronda y persona de tan grata memoria, que aun hoy se venera su nombre en la comarca.

Codeseda era un coto, lugares representados por otras tantas casas de colonos de a ún existen respetuosamente alineadas a inmediaciones de la señorial, que forma un paralelogramo que cierra por el S. la ermita”2.

O texto inclui umha fotografia da época do paço, onde se vê com um aspecto mui diferente do atual. A que mantém a sua morfologia de couto é a aldea, ainda que se foi expandindo ao longo do caminho que vai ao Barreiro e à igreja paroquial, atravessado pola estrada N-550. Seja como for, onde vai que nom há respeituosos alinheamentos aos senhores. De Codesseda o que saiu é muita música, dos gaiteiros Carlos e Alberto, e da melhor voz para o rock glam da comarca, Pedro.

Notas

1Joan Corominas, Breve Diccionario Etimológico de la Lengua Castellana, Madrid, Gredos, 1990 (3ª de.), V. CODESO, p. 156.

2Eugenio Carré Aldao, “La Coruña”, em: F. Carreras y Candi (dir.), Geografía General del Reino de Galicia, Vol. VII, Tomo 4º, Corunha, Ediciones Gallegas, 1980, p. 614.

 

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