Guntino contra a destruiçom

para Lidia

Mapa co Guntim de Cerzeda
Mapa co Guntim de Cerzeda

Mui semelhante ao Gudim da semana passada é o topónimo Guntim, que dá nome a sendas aldeias das freguesias de Mercurim e Cerzeda, dando nome também em Aiaço ao dólmem conhecido como Peneda de Guntim, destruido polas forças do “progresso”, tal e como denunciara o Obradoiro da História1. Existem, aliás, muitos outros Guntim na Galiza e Portugal, sendo os de maior entidade o Gontim do distrito de Braga e o Guntim da comarca de Lugo, que dá nome a um concelho atravessado pola estrada que una Compostela com a capital lucense. A curva de Guntim é tristemente célebre porque ali começara, em agosto de 1975, a cilada policial franquista contra a UPG que daria no assassinato de Moncho Reboiras.

Esteos da Peneda de Guntim, em Aiaço
Esteos da Peneda de Guntim, em Aiaço

Este topónimo intentou-se explicar para alguns casos em relaçom com a povoaçom antiga de Aqua Quintinae que figurava nas tábuas de Ptolomeu se bem para os casos ordenses parece óbvio que venhem de um antigo genitivo de possessor, *(villa) Guntini, ou o que é o mesmo, de sendas vilas medievais propriedade de possessores chamados Guntinus nome germânico formado apartir de *gunthi ‘luita’2. López Peláez especulava para o caso luguês com a ideia de o tal Guntino ter sido um dos criados ou servos do bispo Odoário. Para o caso Cerzeda e Mercurim pode que as duas vilas fossem do mesmo proprietário, havida conta da sua proximidade.

O irmandinho Eugénio Carré Aldao escrevera na Geografía General del Reino de Galicia que a capital municipal de Cerzeda estivera durante um tempo em Guntim, passando dous anos antes da publicaçom da enciclopédia à Pedreira, para fixar-se em Antemil no momento em que Carré redige o texto, todo na década de 19203. O Guntim de Mercurim, pola contra, nem aparece citado nesta Geografía General del Reino de Galicia entre as principais aldeias da paróquia, ficando relegada ao anonimato das “entidades menores”4. Neste sentido Valentina da Vitória sinala que atualmente a aldeia se compom de “duas casas velhas, a de Garcia e a de Linhares, e outraws duas novas, a de Linhares e a dos vizinhos que vinhêrom das Encrovas”. E é que, na nossa Terra, o capitalismo também expulsou a gente das suas casas, esparegando as encrovesas pola Corunha e por Carral, por Abegondo e por Ordes, por Cerzeda e por Carvalho… Contra esse sistema de destruiçom generalizada que destrói dólmens, arrassa paróquias inteiras e assassina moços nas ruas de Ferrol, Guntim clama luita.

Aldeia de Guntim em Mercurim
Aldeia de Guntim em Mercurim

1História da Peneda de Guntin ou Dólmen de Aiazo, tríptico, Ordes, A.C. Obradoiro da História, 1996.

2Moralejo Lasso, 1977, p. 40 e p. 307; Piel, 1989; Piel, Os nomes germânicos na toponímia portuguesa, 1977, p. 113.

3Carré Aldao, 1980, p. 613: “En la aldea de Antemil está la Casa Ayuntamiento. Anteriormente estuvo la capitalidad en Guntín, y hace dos años en Pedreira, en esta parroquia”.

4Ibidem, p. G15.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s